UM MÊS APÓS VOLTAR DA CASSAÇÃO, BERNAL RECLAMA DE AMEAÇAS DE ‘NOVO GOLPE’

Campo Grande/MS

bernal1Desde que o presidente afastado da Câmara de Campo Grande, Mario Cesar (PMDB), confidenciou a alguns parlamentares que pode renunciar, o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), não tem encontrado paz. Diariamente ele é informado por alguém que “outro golpe” pode estar sendo armado para voltar a tirá-lo da Prefeitura.

Segundo denúncia, vereador quer substituir o presidente afastado com interesse maior, que no caso seria novo afastamento de Bernal e, consequentemente, a Prefeitura. Isso porque, com afastamento de Gilmar Olarte (PP), o presidente da Câmara ocuparia o cargo interinamente.

“Isso é muito preocupante e causa instabilidade política. Quem fez a cassação do mandato? Quem coordenou? Quem foi flagrado? Além de ter que enfrentar desafios dos problemas diários, auditar toda realidade encontrada, ter que pagar servidores, ainda fico sofrendo ameaça de novo golpe. Em todos os lugares, todo mundo fala”, reclamou.

Bernal conta que recebeu uma ligação às 5 horas da manhã de pessoas relatando possível armação para tirá-lo do cargo. “O povo fala que gente ligada a fulano ou a sicrano estão se organizando para encontrar um jeito de me afastar. São pessoas muito próximas a vereadores. A própria investigação do Gaeco traz informações muito grandes de que se reuniam para traçar, organizar e consumar a cassação do meu mandato (em outra oportunidade”.

O prefeito não entende que seu cargo é instável, como alguns afirma. Ele ressalta que não é uma liminar que o mantém no cargo, mas uma tutela antecipada, que lhe garantiu o retorno. “A tutela é uma sentença de mérito que reconhece a verdade dos fatos nas provas que estão no processo e antecipa para evitar que o dano seja irreparável… Não estou no cargo por liminar. Ganhei a eleição nas urnas. Mas, esta instabilidade é comentada amplamente e repercute muito forte”, afirmou.

Com um mês no cargo, desde que participou do desfile de aniversário de Campo Grande, já na agenda como prefeito, Bernal ainda calcula prejuízos e acredita que a cidade precisará de oito anos para se recuperar. No momento, segundo ele, o trabalho é de ações imediatas, para conter estragos, e levantamentos que serão encaminhados a outras instituições.

“Estamos fazendo levantamentos, procedimentos administrativos e vamos comunicar imediatamente ao Ministério Público Estadual e Federal, que são defensores da sociedade e da administração pública e podem entrar com ação de improbidade, sequestro de bens e invocar o Judiciário”, relatou.

Bernal espera término das investigações da Coffee Break para que se estabeleça uma relação menos conturbada entre os Poderes. “Preciso que se resolva esta questão de ordem criminal da Câmara, até para estabelecer uma relação. A gente sabe que tem vários investigados. Tem que saber o que vai acontecer, para que possa existir uma relação republicana e institucional. Embora eu não vá participar diretamente, caso o Mario renuncie, vou torcer para que se eleja alguém que tenha disposição de uma relação de estabilidade política dentro do Município”, concluiu.

O vereador João Rocha (PSDB) é um dos que mais articulam para chegar a presidência na Câmara. Embora ele não admita, já fez reuniões com o partido dele e com vereadores para tentar emplacar o nome dele. Flávio César (PTdoB) é vice, mas a Câmara precisará fazer nova eleição caso Mario renuncie. Apesar das campanhas nos bastidores, a maioria dos parlamentares prefere manter o silêncio, visto que o peemedebista ainda não oficializou a saída. Fonte: Correio do Estado.