PROJETO INOVADOR PRECISA DE R$ 200 MIL PARA REABILITAR PACIENTES PELO SUS

Saúde

Hospital é público e não cobrará nada por atendimentos  (Foto: Bruno Henrique / Correio do Estado)
Hospital é público e não cobrará nada por atendimentos. (Foto: Bruno Henrique / Correio do Estado)

O que há cerca de dois anos era um projeto piloto agora está a um passo de se tornar realidade no Hospital São Julião, em Campo Grande. A obra do programa nacional Cuidados Continuados Integrados (CCI), que já é executado desde 2013, em um espaço adaptado, está pronta e foi apresentada nesta quarta-feira (15). Para continuar a reabilitar pacientes com sequelas de acidentes, o novo espaço aguarda a liberação de R$ 200 mil mensais, que devem ser disponibilizados em parceria pelo Governo Federal, Estadual e Municipal.

Esse tipo de atendimento especial para reabilitar vítimas de acidentes que ficaram com sequelas é comum na Europa há mais de 40 anos. Em contrapartida a isenções fiscais, hospitais de excelência filantrópica, como o Hospital São Julião, são obrigados pelo Governo Federal a implantar projetos como este.

Um Termo de Cooperação Técnica, assinado em julho de 2012, possibilitou a implantação do projeto piloto no Estado. A parceria foi intermediada pela então secretária de Saúde do Estado, Beatriz Dobashi.

Os atendimentos começaram em outubro de 2013 em um espaço adaptado e de acordo com Beatriz, que hoje é voluntária, até o momento, o CCI já reabilitou mais de 160 pacientes, na maioria homens, de 50 a 79 anos.

A metodologia utilizada nos atendimentos foi repassada às áreas médicas dos hospitais São Julião, Regional, Santa Casa e Universitário, por instrutores do Hospital Samaritano de São Paulo (Cealag), durante 12 meses. O Cealag também foi responsável por custear os treinamentos.

QUEM PODE SER ATENDIDO

Os atendimentos são gratuitos e os pacientes só são encaminhados ao CCI quando o prognóstico médico emitido pele rede pública é de avanço, seja ele no andar, falar e até psicológico. De acordo com o diretor do Hospital São Julião, Amilton Fernandes Alvarenga, nenhum tratamento é igual e cada paciente recebe um Plano Terapêutico Singular, que é avaliado a cada 15 dias.

“No CCI recebemos pacientes vítimas de AVC, acidentes de trânsito e demais traumas. Cada um tem um tipo de atendimento, mas todos são assistidos por médicos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogas e farmacêuticos. Cada um chega com uma dificuldade e o mais importante, cada um precisa de um acompanhante-cuidador, para que ele também aprenda a lidar com o paciente quando o tratamento acabar e tiver de ser continuado em casa”, disse Amilton.

CONFORTO 

Hospital é público, mas nível é de instituição privada
Hospital é público, mas nível é de instituição privada

No novo prédio, que oferecerá atendimentos gratuitos, a realidade é bem diferente do que a população está acostumada a lidar. Com apenas dois leitos, por quarto, o espaço, a organização e o conforto de quem ficará hospedado, é de ”primeira linha”.

Além do aconchego para os pacientes e acompanhantes, copa, refeitório, sala de fisioterapia e varanda com mesa e cadeira estão disponíveis no prédio, que está cheirando a tinta fresca.

FALTA RECURSO

Os 22 leitos da obra, que custou R$ 5,5 milhões de recursos próprios do hospital e doações de empresários, estão habilitados para iniciarem a recepção de pacientes. O problema, é que segundo Beatriz Dobashi, ”projetos novos não são sustentados com dinheiro velho”. O CCI precisa de R$ 200 mil mensais para continuar a reabilitar pacientes no novo prédio.

O Projeto Piloto Cuidados Continuados Integrados também está em execução nos estados de São Paulo, Paraná e Piauí. Mato Grosso do Sul e São Paulo, são os únicos que já possuem o parecer técnico e a habilitação dos leitos. Com o fim da implantação do projeto, que aconteceu nesta terça-feira, o parecer deve ser encaminhado à Secretária  de Saúde do Estado e ao Ministério da Saúde para a liberação dos recursos. Fonte Correio do Estado.