MÉXICO CONFIRMA QUE ESTUDANTES DESAPARECIDOS FORAM ASSASSINADOS

As provas científicas e periciais confirmam “com plenitude” que os 43 estudantes desaparecidos no México desde o dia 26 de setembro foram assassinados e incinerados em um depósito de lixo do município de Cocula por membros do crime organizado, disse nesta terça-feira (27) o procurador-geral Jesús Murillo.

A partir de 487 exames periciais, contrastados com os depoimentos dos 99 detidos, Murillo confirmou que “ficou provado” de um modo “contundente” que os jovens foram sequestrados, assassinados, incinerados e seus restos foram jogados no rio San Juan.

A investigação nos dá “a certeza legal de que os normalistas [estudantes] foram mortos nas circunstâncias descritas”, disse o procurador-geral. Esta informação foi confirmada em entrevista coletiva na capital mexicana um dia depois que se completassem quatro meses do desaparecimento.

Até agora, a procuradoria considerava os jovens como desaparecidos, depois que em 26 de setembro foram vítimas de um brutal ataque a tiros de policiais corruptos da cidade de Iguala (Guerrero) que depois os entregou a pistoleiros do cartel Guerreros Unidos.

Os pais das vítimas, que na segunda-feira (26) lideraram uma marcha com milhares de pessoas na Cidade do México, se negam a acreditar na reconstrução que a justiça fez da trágica noite e temem que o governo pretenda encerrar o caso que chocou o México e a comunidade internacional.

Por enquanto, os legistas só identificaram os restos mortais de um dos estudantes e familiares mantêm as esperanças de que os outros 42 continuem vivos. A promotoria tampouco tinha manifestado até agora a certeza sobre a motivação do suposto massacre.

Nesta terça-feira, seus encarregados disseram que “a confissão” do pistoleiro Felipe Rodríguez, conhecido como ‘El Cepillo’, um dos supostos autores da chacina, detido em 15 de janeiro, corroborou a hipótese de que os estudantes foram apontados como membros de Los Rojos, um bando rival dos Guerreros Unidos.

“Consolida-se a motivação consistente em que os estudantes foram apontados pelos delinquentes como membros do grupo antagônico ao crime organizado na região. Esta foi a razão pela qual os privaram de liberdade em um primeiro momento e, finalmente, da vida”, disse Tomás Zerón, diretor-chefe da Agência de Investigações Criminais.

Nós “não pudemos determinar que [os estudantes] tenham sido parte de nenhum grupo criminoso. Penso que foi ao contrário”, reforçou Murillo Karam. O procurador antecipou que foram solicitadas penas de até 140 anos de prisão para ‘El Cepillo’ e outros responsáveis pelo crime. (Com agências)