MÉDICOS GANHAM ATÉ R$ 42 MIL POR MÊS, SEGUNDO A PREFEITURA

Greve dos Médicos

Os médicos que atuam na rede municipal de saúde chegam a ganhar até R$ 42 mil por mês, segundo relatório apresentado pela prefeitura de Campo Grande. Com gastos de 52,54% da receita (acima do limite prudencial de 51,03%) com folha de pagamento, a remuneração profissionais responde 13,8% desse total, ou seja, dos R$ 108 milhões utilizados para pagar servidores, R$ 15 milhões são para os médicos. Os números foram apresentados pelo secretário de Administração, Wilson do Prado.

O levantamento revela, somando salário-base, gratificações e plantões, que alguns profissionais chegaram a receber mais de R$ 30 mil (valor restrito de 19 médicos), dois ultrapassaram os R$ 40 mil, um deles atingiu mais de R$ 42 mil. Um grupo de 193 médicos, correspondente a 18,62% de todo o contingente, recebeu remuneração variável entre R$ 15 e R$ 42 mil, assim distribuídos: 87 ganharam entre R$ 15 e R$ 19 mil; 30 , em torno de R$ 19 mil e 76 acima de R$ 20 mil.

Dos 1.500 médicos que estavam na folha de pagamento da Sesau, 750, ou seja, 72% do quadro, receberam mais de R$ 4.900; 500 acima de R$ 8 mil e 250 mais de R$ 13.600,00.

Até o mês passado, os médicos tinham a opção de fazer até 28 plantões (14 por vínculo), o que lhes garantia uma remuneração variável entre R$ 15.816,00 (para quem fizesse 14 plantões) e R$ 29.119,72 (se optasse pelos 28 plantões). Mesmo com a limitação a 14 plantões por CPF, adotada a partir de abril, este mesmo profissional tem a oportunidade receber até R$ 15.816,00. “Esta medida não por economia, mas porque se constatou ser impraticável que profissionais tivesse plantões de 12 horas praticamente todos os dias nas unidades 24 horas e ainda cumprirem 4 ou 8 horas de jornadas nas unidades básicas”, observou o secretário.

“Em suma, o médico é que faz a sua remuneração, conforme a jornada de trabalho que escolher”, apontou Prado.

Médicos da rede municipal paralisaram nesta quarta-feira as atividades nas unidades de saúde. Os atendimentos que estavam agendados, principalmente os da atenção básico, foram suspensos.

A categoria reivindica reajuste de 355%, o que elevaria o salário-base da categoria de R$ 2.516,72 para cerca de R$ 11,7 mil. O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sindimed-MS) alega que a administração cortou três gratificações dos profissionais, reduzindo a assim o salário em 50%. A categoria luta também por mais investimentos na saúde, condições adequadas de trabalho e mais segurança nos postos de saúde.

Sob alegação de que a greve prejudica a população, a prefeitura também ingressou com ação judicial para garantir a volta ao trabalho dos profissionais da saúde, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. Ainda não houve decisão judicial sobre o caso, mas o sindicato afirmou que, caso a Justiça determine, os médicos voltam ao trabalho. Fonte Correio do Estado.