Governo Bolsonaro falha em garantir escola para mais de 5 milhões de alunos.

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) falhou na garantia de educação para mais de 5 milhões de crianças e adolescentes no país. Segundo o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), a situação é a pior no Brasil em duas décadas. De acordo com a entidade, 80% dos alunos entre 6 e 17 anos, embora matriculados, não conseguiram ter acesso ao ensino à distância ou a aulas presenciais ao longo de 2020. O impacto foi maior entre negros e indígenas e em famílias de baixa renda.

“Se a pandemia tivesse sido mais bem controlada desde o começo, talvez as escolas pudessem ter ficado fechadas por menos tempo”, disse ao UOL a diretora-adjunta da ONG Human Rights Watch (HRW) no Brasil, Anna Livia Arida. Ela se referia às recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde), como a promoção do distanciamento social e a defesa do uso de máscaras. Ontem, Bolsonaro chegou a dizer que pediu ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, um parecer para desobrigar o uso de máscaras em vacinados, o que especialistas consideram preocupante.

Os dados do Unicef e informações oficiais do governo serviram de base para um relatório conjunto publicado hoje pela HRW e pela ONG Todos pela Educação, acusando o fracasso do governo federal e do MEC (Ministério da Educação) em dar respostas adequadas à educação no contexto da pandemia. As entidades apontaram cortes no orçamento da pasta e o que chamaram de “resposta desastrosa à pandemia” como responsáveis por deixar milhões fora da escola. Muitas instituições de ensino estão fechadas há cerca de 15 meses. “O governo precisa colocar a educação no centro de seu plano de recuperação da covid-19, restaurar o orçamento da educação e utilizar os recursos disponíveis para garantir que milhões de crianças e adolescentes, especialmente aqueles com maior risco de abandono escolar, possam estudar”, Anna Livia aponta no documento.

Cortes e bloqueios

O relatório lembra que, dos R$ 48,2 bilhões do orçamento para a educação básica em 2020, o MEC usou apenas R$ 32,5 bilhões, o menor valor em uma década, além de reduzir verbas do Programa Educação Conectada, voltado à universalização do acesso à internet de alta velocidade para estudantes. Segundo o IBGE, 16,6% das crianças e adolescentes em famílias de baixa renda (até meio salário mínimo por pessoa) não tiveram acesso à educação em 2020. Em domicílios com renda per capita de quatro ou mais salários mínimos, o percentual era de apenas 3,9%. “Antes da pandemia, 4,1 milhões de estudantes no Brasil não tinham acesso à internet”, disseram as entidades que assinam .

Cenário ‘trágico’

Para o diretor-executivo do Todos Pela Educação, Olavo Nogueira Filho, o cenário é “trágico”. Ele destaca a necessidade de uma ação “muito vigorosa” por parte do governo federal, ressaltando que a situação deverá ter impactos com repercussão duradoura. “Em que pese a importância de um plano de médio e longo prazos, precisamos de um senso de urgência muito grande para o curtíssimo prazo”, disse. Fonte UOL.