GERAR ENERGIA NA RESIDÊNCIA CUSTA DE R$ 3 MIL A R$ 20 MIL

Já com um bom espaço conquistado em alguns países da Europa, a micro e a minigeração de energia elétrica começaram a engatinhar no Brasil, após a regulamentação feita pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Por meio dessa tecnologia, o consumidor, seja em sua residência, comércio ou indústria, pode utilizar sistemas eólicos e solares para produzir energia, obter crédito e, assim, reduzir o valor da sua tarifa mensal.

O potencial em todo o País é imenso, no entanto, muitos desconhecem as peculiaridades inerentes ao processo e os valores necessários para investir em fontes de energia limpa.

O investimento depende da demanda energética. Em uma casa popular, por exemplo, com dois quartos, sala, banheiro, cozinha e varanda, e consumo de 50 Kilowatts/hora por mês, são necessários R$ 3 mil, suficientes para a instalação de sistema solar com fibra de coco.

Segundo o engenheiro mecânico Fernando Ximenes, da Gram Eollic – empresa que faz consultoria e realiza serviços nessa área – o valor dos investimentos evolui, gradativamente, conforme os hábitos de consumo da residência, podendo chegar a R$ 20 mil.

Para dimensionar a necessidade de cada casa ou estabelecimento, são realizados estudos, após os quais é feito o projeto adequado ao perfil de cada consumidor. “Não importa o tamanho da residência. O que se leva em conta é o consumo de energia. Uma casa pode ter o dobro de metros quadrados de outra e ter a metade da demanda energética”, ressalta o especialista.

Retorno financeiro

Segundo ele, em cerca de 50 meses, é possível recuperar o valor investido com as diminuições na conta. “Se a pessoa instalar um sistema offgrid (sem ligação com a distribuidora de energia), só para o horário de ponta, que é de 17h30 a 20h30, consegue que esse retorno caia para 20 meses, porque a tarifa nesse horário é bem mais cara”, diz o consultor. Já no caso de uma indústria, exemplifica, a amortização leva de 60 a 70 meses.

Atualmente, os preços das energias eólica e solar se equiparam, conforme Ximenes. Segundo lembra, a solar teve uma redução de 50% no seu preço nos últimos tempos, e a tendência é de que fique ainda mais barata.

Pacote completo

O engenheiro afirma que muitos consumidores enganam-se ao acreditar que basta uma torre eólica ou uma placa solar para começar a gerar energia.

“A microgeração tem que ser vista de forma mais abrangente. É um sistema completo, com aerogerador, torre eólica, pás, inversores, chaveamento. O mesmo ocorre com a solar”, esclarece. A Aneel também explica que a energia produzida não pode ser vendida.

O que ocorre é o acúmulo de créditos, que variam de acordo com o volume gerado, para ser usado exclusivamente no abatimento da tarifa energética. As normas são regidas pela Resolução 482, de abril de 2012, segundo a qual microgeração é a produção de até 100 kw/h, e a minigeração vai de 100 kw/h a 1.000 kw/h (equivalente a 1 Megawatt/hora).

O governo brasileiro prevê incentivos fiscais para a importação, comercialização e instalação de sistemas fotovoltaicos e dedução no Imposto de Renda, como é praticado na França. Nos Estados Unidos, as residências que investem em geração local de energia a partir de fonte solar ou outras alternativas recebem um desconto de até 30% no IR, segundo o departamento americano de Energia (DoE).

FIQUE POR DENTRO

Geração própria e os benefícios que ela traz

A microgeração (também conhecida como geração própria) é a produção de energia por parte de consumidores comuns – residenciais, comerciais e industriais – por meio de pequenas turbinas eólicas e painéis fotovoltaicos. Conforme resolução da Aneel, a microgeração abrange a produção energética que vai até 100 Kilowatts. E a minigeração compreende o patamar de 100 KW a 1.000 KW. A geração própria apresenta diversos benefícios: no caso de falha na rede elétrica, por exemplo, quem produz continua com eletricidade disponível; a perda de energia durante esse processo é mínima, oposto do que ocorre na produção de larga escala; além disso, a microgeração estimula o uso de fontes limpas (e abundantes no Brasil), o que é uma tendência energética mundial. Victor Ximenes – repórter. Fonte