ALCIDES BERNAL EXONERA TODOS OS OCUPANTES DE CARGOS DE CONFIANÇA

Campo Grande/MS

Em seu primeiro ato depois de ter retomado o mandato de prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal exonerou todos os secretários do município, além de todos os servidores que ocupam cargos de comissão. Ele também revogou as nomeações de seu antecessor Gilmar Olarte para cargos de secretário-adjunto e de direção e chefia. Todas as funções de confiança também foram revogadas.

O Diário Oficial de Campo Grande foi publicado ontem depois das 20h, e só teve uma página, suficiente para os quatro decretos que dão efeito às medidas informadas acima. Desta forma, pelo menos nesta na manhã desta sexta-feira, a cidade não terá nenhum servidor comissionado nos primeiros escalões, e nem mesmo diretores de escolas e centros de educação infantil. A nomeação do secretariado de Alcides Bernal é aguardada para esta sexta-feira.

Ontem pela manhã, depois de ter admitido demitir três mil servidores comissionados da prefeitura de Campo Grande, Bernal, em entrevista recuou e não estabeleceu a quantidade de funcionários em cargos em comissão que seria demitida. Bernal assumiu o número de exonerações logo pela manhã, em entrevista à rádio FM UCDB, mas posteriormente questionado sobre o assunto, “deu de ombros” e disse não saber exatamente quantas demissões serão feitas.

Durante a entrega simbólica da chave da prefeitura ontem de manhã no Paço Municipal, o prefeito eleito em 2012 afirmou que a partir de agora terá muito trabalho pela frente, inclusive as exonerações. “A prefeitura está sem dinheiro em caixa. Vamos começar exonerando os cargos fantasmas que estão destruindo as finanças do município”, ponderou o pepista ao completar que irá pedir “relatório de cada uma das unidades administrativas para repassar os compromissos que não foram cumpridos”.

Em março de 2014, quando assumiu a prefeitura, Olarte exonerou mais de 500 servidores comissionados do prefeito cassado Alcides Bernal. Nos próximos dias, Bernal começa a fazer um “limpa” e acabar com os cargos “fantasmas”, mas sem saber exatamente quantos são. Olarte mantinha cerca de 1,2 mil comissionados atualmente no serviço público municipal.

Ao falar com a imprensa, o atual prefeito sustentou que o caixa da prefeitura está negativado e que deve haver um rombo de pelo menos R$ 900 milhões. Informações extra-oficiais, no entanto, dão conta de que esse montante seria de R$ 1 bilhão, mas nenhum dos dois valores foi confirmado pelo pepista ou seus aliados.

O prefeito assumiu apenas que o município está “quebrado” e que irá contratar auditoria para diagnosticar o tamanho da crise que afeta o Executivo Municipal e assim poder traçar as diretrizes.

Ao pisar pela primeira vez na prefeitura da Capital após ser reconduzido ao cargo de prefeito, Bernal destacou que deixou R$ 654 milhões em caixa quando foi cassado, em março de 2013 e que agora, pega a prefeitura sem dinheiro nos cofres.  Contrariando as informações de Bernal, em 13 de março de 2014, quando assumiu a prefeitura após a cassação do prefeito eleito, Gilmar Olarte afirmou que pegou a prefeitura com o deficit de caixa de R$ 300 milhões.

SALÁRIOS

Outra incerteza da retomada de gestão de Bernal é quanto ao pagamento dos servidores. O desejo do prefeito é de que “se depender de mim, será pago no dia primeiro do mês”. No entanto, o próprio Bernal disse que os cofres estão vazios, logo, não se sabe como será feito, ou mesmo se será feito o pagamento dos funcionários dentro do prazo de cinco dias úteis ou até de forma escalonada, como ocorreu em agosto.

Sobre o escalonamento do salário dos servidores públicos, designado pelo ex-gestor Gilmar Olarte, devido a crise financeira, Bernal garante que será difícil, já no próximo mês, pagar em dia.

Para tomar conhecimento dos problemas que “herdou” do governo Olarte, Bernal confirma a contratação de auditoria interna e externa o mais breve possível. Ainda segundo ele, irá pedir apoio dos órgãos de controle externo da Controladoria Geral da União (CGU), do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Ministério Público Estadual (MPE). Fonte Correio do Estado.