PROJETO RECUPERA BIODIVERSIDADE EM MANANCIAIS HÍDRICOS DO CERRADO

bioma do cerrado
Projeto recupera biodiversidade em mananciais hídricos do cerrado

A chamada “Restauração Ecológica” é uma das áreas de atuação da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, cujo objetivo final é recuperar as funções ecológicas de um ecossistema ou de uma paisagem.

Esta é a meta do projeto “Águas do Cerrado – O futuro em nossas mãos”, desenvolvido pelo Instituto de Permacultura: Organização, Ecovilas e Meio Ambiente (Ipoema) com apoio financeiro da Petrobras e, agora, cooperação técnica da Embrapa.

O projeto envolve ações de revegetação de áreas associadas a cursos d’água e a promoção do uso racional dos recursos hídricos. O contrato de cooperação com a Embrapa, formalizado em janeiro de 2015 e com duração de 17 meses, prevê a realização de monitoramento dos processos e dos impactos associados às ações de recuperação de áreas degradadas.

Águas do Cerrado

Lançado em abril de 2014 e com estimativa de duração de dois anos, o projeto “Águas do Cerrado” prevê o plantio de 170 mil mudas de árvores nativas em 76 propriedades rurais localizadas na área da Bacia Hidrográfica do Rio São Bartolomeu, na Estação Ecológica do Jardim Botânico e em Áreas de Proteção de Manancial da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). Ao final, a estimativa é recuperar uma área de aproximadamente 90 hectares.

De acordo com Daniel Luís Mascia Vieira, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, a Embrapa está em busca do desenvolvimento de técnicas para tornar a restauração ecológica mais eficaz e barata.

Com o início dos trabalhos da Embrapa, o pesquisador Daniel Vieira já está orientando um aluno de mestrado em Ciências Florestais e dois de graduação em Ciências Ambientais que estão realizando pesquisa de campo.

A Pesquisa consiste em recolher dados sobre o sucesso da restauração, informações relativas às atividades de plantio e manejo e sobre o envolvimento dos proprietários com as atividades de restauração, para recomendar melhorias ao programa estabelecido pelo projeto “Águas do Cerrado” e outros programas de restauração em larga escala. De acordo com Daniel, são muitos e complexos os fatores a serem analisados.

Ele cita alguns, como a resiliência do local, a forma como foi feito o plantio, o método de manutenção, e a própria aceitação do projeto pelos proprietários/agricultores locais. Os resultados finais do monitoramento serão disponibilizados à equipe do projeto.

Segundo Daniel, para a área ser considerada restaurada serão utilizados os parâmetros estabelecidos na legislação brasileira sob o ponto de vista da produção e da preservação.

“O Código Florestal, por exemplo, prevê um período de até 20 anos para determinar o estágio final de um projeto de restauração ecológica. Já a legislação de São Paulo, que tem um sistema de monitoramento similar ao que estamos adotando no projeto, diz que se a área tiver mais de 80% de copa de árvores e mais de três mil plântulas ou arvoretas por hectare de mais de 30 espécies nativas, já se pode considerar que a área está restaurada”, explica o pesquisador.

Ele ressalta ainda que é possível conciliar áreas de reserva legal com produção agropecuária, os chamados Sistemas Agroflorestais (SAFs), que integram espécies florestais a culturas alimentares. “O crescimento das espécies nativas do cerrado é lento, então o plantio consorciado permite que o produtor não gaste muito com manutenção do plantio e tenha retorno econômico”, diz.

O projeto é novo, mas o assunto já é bastante familiar ao pesquisador Daniel Vieira, que em novembro do ano passado lançou, juntamente com o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) e a WWF Brasil, o livro “Agricultores que cultivam árvores no cerrado”. A publicação conta as experiências de dezenas de agricultores no plantio de recursos genéticos nativos do Cerrado para reflorestar áreas desmatadas. Daniel acredita que a valorização do conhecimento tradicional dos proprietários das terras onde será feito o plantio de árvores é um dos fatores determinantes a serem considerados para o sucesso do projeto. “Acredito que entre os diversos fatores que interferem no sucesso da restauração ecológica está a satisfação dos financiadores, clientes, técnicos, pesquisadores e educandos”, conclui.

Vertente educacional

Paralelamente à recuperação de áreas degradadas, o projeto “Águas do Cerrado” possui uma forte vertente educacional. É que se antes a questão da restauração florestal não estava tão associada à preservação dos mananciais hídricos, no atual momento, em que a chamada “crise hídrica” é pauta diária dos meios de comunicação, a educação para o uso racional da água e uso sustentável do solo possui igual importância dentro no projeto. Para tanto, serão executadas ações educativas em escolas públicas nas comunidades atendidas e ainda ações de capacitação, mobilização social e formação de redes de relacionamento e trabalho.

Entre as metas e impactos do projeto, destacam-se alguns números: implantação de viveiro para produção de 4 mil mudas, jardim agroflorestal e minhocário em seis escolas públicas do Distrito Federal; sensibilização de 8 mil alunos; oferta de 540 vagas em cursos; capacitação de 30 professores e 16 membros da comunidade da bacia do São Bartolomeu; formação de 30 jovens empreendedores; e construção do Centro de Referência de Águas do Cerrado, que terá sala de aula, refeitório e parquinho ecológico. O projeto prevê ainda auxilio na elaboração de anteprojeto de lei para a preservação de recursos hídricos no Distrito Federal. Fonte:página1news